O estranho fato de me apaixonar após um longo hiato...
Eu vi o deserto à minha frente... seguia nele como um desesperado, desses que vagam na tentativa de sobreviver ao desconhecido, dia após dia...
Aquela paisagem me parecia monótona, semelhante e estranhamente corriqueira.
Quando me apaixonei, pensei ter visto um oásis. Era como se o meu corpo estivesse sendo atraído, magnetizado e ligeiramente seduzido a saciar aquela sede que há tempos me perseguia... Os meus olhos brilharam, a boca salivava e a mente idealizava cada passo e cada momento antes mesmo de chegar até lá. O meu corpo se encontrava em êxtase; eu estava totalmente imerso nos prazeres daquele deslumbre.
Quem diria que, depois de tanto tempo, eu poderia me nutrir com algo tão único?
Tudo ao meu redor desapareceu! Eu não conseguia tirar os olhos de ti. A ideia de finalmente descansar, depois de vagar por dias e noites, era tão acolhedora que me fazia esquecer qualquer cansaço sobre os ombros.
Mesmo tendo sobrevivido por tanto tempo nesse deserto, ao contemplar a tua beleza, parei! Meu coração e minha mente gritavam como quem diz:
"É hora de descansar! Abaixar a guarda e não temer o perigo."
Puxei o ar dos pulmões... aquilo me parecia tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto. Arranquei de dentro de mim o último lampejo de força, coragem, disposição e corri.
Depressa demais. Corri mais depressa do que deveria, mais rápido que a força do pensamento.
Quando me dei conta, vi que havia passado direto...
Porém, quando olhei para trás, percebi que não havia nada.
— Era só uma miragem.
Daniel Lima
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